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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Dia das Crianças, Panelinhas, Lembranças e Bullying

HELLo Escola!


Hoje é Dia das Crianças! Um dos dias mais maravilhosos para mim ^^ Estou aguardando o presente que vocês vão me dar hehehe Mas hoje ... tem um menino que não vai comemorar de jeito nenhum. 

Essa semana um garotinho de doze anos de  uma das melhores instituições escolares do Rio de Janeiro se jogou do 5ºandar da escola. E muita gente se pergunta o que levaria uma criança tomar essa decisão tão forte e tão corajosa sim ... para se matar tem de se ter uma coragem absurda. Acabar com a sua própria existência com convicção e lutar contra todo o instinto natural de "estar vivo pelo máximo de tempo possível" demanda muita força de vontade!  de simplesmente acabar com tudo de uma forma tão drástica e efetiva.

Quem sabe esse menino não passou por uma situação como a desse curta da Pixar, só que com um final absolutamente trágico : 




Você consegue se lembrar de como era a sua vida na época da Escola? Lembra dos seus amigos, das piadas internas, colegas, professores, aulas, brigas, desavenças ... 

Tem certeza?
Coragem de voltar aos tempos da Escola e revisitar seus próprios monstros?!




Olhando de longe parece tudo perfeito, não é?!





Vida de colégio é no mínimo ... Sobrenatural. Se a Escola fosse feita só de livros, a  vida para algumas pessoas poderia ser muito mais simples.


Objetos são muito mais tranquilos do que gente!




Foi assim que imaginei a Escola: Um repositório de conhecimento sem limites que poderia saciar minha sede de descoberta. No meu primeiro dia de aula não olhei para trás e nem chorei como normalmente fazem as crianças pequenas quando entram para a Escola pela primeira vez. Simplesmente segui em frente. E então eu topei com as pessoas! Inquietamente repletas de achismos e julgamentos. E ainda eram crianças... daquelas com potencialidade para o mal à flor da pele.


Tão linda, tão inocente!

Implicância ... Natural


Inocência Infantil tão singela!




A boa da verdade é que crianças são naturalmente cruéis. Elas são pequenos tiranos que ainda não foram socializados. Por isso que a Escola pode ser um verdadeiro inferno na Terra para muita gente. Afinal crianças podem ser capazes das maiores atrocidades com seus coleguinhas e não sentir remorso algum. A gente vai perdendo a psicopatia aos poucos.




Desde cedo ... 

Crianças normalmente só são capazes de perceber que alguma coisa é diferente. A valoração da maldade é por conta dos adultos. Assim nascem os preconceitos que, normalmente, são legitimados dentro de casa. A gente aprende a ser  preconceituoso, a internalizar valores iníquos e egocêntricos que deixariam o qualquer vilão de História em Quadrinho escandalizado.


A culpa é sempre dos adultos!

E as crianças repetem ... 



Para grande parte das pessoas terminar a Escola é simplesmente libertador. É a chance de se livrar daquele mundinho inteiro e começar algo novo. E mesmo assim, depois que a vida escolar termina, demora um pouco para notar que acabou. Quando estamos imersos nela é muito difícil ver o mundo lá fora.


Miopia Eterna

Stuff!


Além disso, quando se é jovem, se pensa que tudo é para sempre! Que tudo é irremediável, urgente, eterno, perfeito, incompreensível, máximo, infinito, importante. O Tempo? “Será nosso e tudo vai durar, nunca vai acabar!” A Vida é pílula, o “não” é tirano e dez anos são milênios. A generalidade é tom e a genialidade é cativa da nossa geração. Tudo que é passado é ultrapassado e o antigo é de outro mundo, é alienígena... E isso tudo acaba cercando a visão de uma realidade maior, além dos muros, das carteiras e do cuspe e giz da sala de aula.


Pode até parecer que não existe vida lá fora!



É possível compreender! Imagina ficar imerso naquele cotidiano maçante, exatamente igual, com as mesma piadinhas e pessoas por mais de uma década que consiste em praticamente toda a sua vida até aquele momento? É natural não perceber que aquilo um dia vai acabar e provavelmente você nunca mais vai ver nenhuma daquelas pessoas novamente. Tanto é assim que é exatamente nessa época que você, se tiver a sorte de ter algum amigo, faz promessas eternas de amizade. E finalmente quando você cresce percebe que aquelas promessas e aqueles pensamentos eram uma meninice impraticável. A  vida simplesmente segue e nunca olha para trás.


Amigos para sempre?! Muitas vezes não.




Grupos existem em qualquer lugar. Gente grande normalmente se aglutina por afinidade. Gente jovem se aglutina por status. Quando ficamos adultos esquecemos de que a Escola é basicamente toda a sociedade em que os jovenzinhos vivem. Não há nada além daquilo.  É um ambiente de todos os dias ... onde todos se conhecem e onde nada fica encoberto. Os infantes acabam por preferir estar em um grupo que não tem nada haver com eles do que estarem sozinhos e excluídos. Para terem um amigo eles são capazes de aceitar qualquer coisa.

Grupinhos ... ecah!





A organização dos grupinhos, corriqueiramente conhecidos como “panelinhas”, normalmente é pautada em critérios bem taxativos e recheados de visões distorcidas. Basicamente tem-se : patricinhas, vagabundos, bagunceiros, os que dormem, cdfs , esforçados, mocinhos, os vilões, roqueiros ,  nerds potencialmente deslocados e razoavelmente felizes ...

Não. Não é uma panela pequena!

É esse tipo de panela que exclui a outra pessoa. Mas de onde é que veio esse termo panela???


Também não é panela de brinquedo!Presta atenção!





Alguns exemplos de visões distorcidas muito comuns e genéricas :




Patricinhas : 

Alguém me diz por que Patys tem de usar rosa?!

¬¬" 

Altamente superficiais e fúteis. Não sabem distinguir o tipo de gráfico entre funções de primeiro e de segundo grau. São as estupidamente burras e frágeis que dão mais valor a um sapato do que os ideias da Revolução Francesa. São elas que jogam um charminho para os outros na tentativa de que eles façam as tarefas e deveres delas.



Vagabundos: 

Esses caras ... 

São aqueles que não querem nada com a Hora do Brasil. Preferem matar aula... São os turistas que nunca sabem de trabalho nenhum, de prova nenhuma e que jogam a culpa da sua ignorância em relação as tarefas e prazos para cima das outras pessoas : “Mas professora! Ninguém me avisou!”



Bagunceiros : 

Dude ... quem nunca participou de guerra de bolinha de papel?!

Dispensam comentários. São aqueles que não conseguem assistir uma aula. Levantam, conversam, implicam, brigam, aprontam e normalmente não deixam as outras pessoas que estão interessadas assistirem a aula em paz. São eles que normalmente criam os  apelidos e implicam com as pessoas mais indefesas.



Os que dormem: 

Alguém se identifica?!

Ah!Qual é ... todo mundo já dormiu em sala.

Um estudante devidamente camuflado!


São sonhadores! Mas não ... não são os idealistas. São aqueles que dormem mesmo. Aqueles que chegam na escola com a cama nas costas. Fecham os olhinhos quando a aula começa, babam, sonham, passam por todas as fases do sono, roncam e são acordados para ir embora. Geram ódio eterno nos cdfs quando conseguem tirar as notas mais altas da classe.



Esforçados : 

Foooooooooooooorça!

Só coloquei essa foto porque eu adorei ^^ Olha a formiguinha! 

São aqueles que por mais esforçados que sejam ... nunca conseguem tirar boas notas ou responder as perguntas de forma correta na frente da turma ou que não notam as coisas mais óbvias por mais que as explicações se repitam.



Mocinhos : 

Taram!!!

Muhauahauahuaha brinks ... ele NÃO é um nice guy. 

São os típicos “nice guy”. Aquele tipo irritantemente perfeito, carismático e que todo mundo adora. Eles falam com todo mundo porque são gentis e aparentemente não possuem desavenças com ninguém. São os que apaziguam brigas e conectam todo mundo em momentos difíceis. Provavelmente serão os representantes de turma.



Vilões : 

RRRRRRRR

Esses caras existem em TODOS os lugares.

São aqueles caras malvados totalmente antagônicos aos mocinhos. São antissociais e procuram fazer da vida das pessoas um inferno. São diferentes dos bagunceiros que são simplesmente levados. Vilões fazem as coisas com a má-fé típica do Lado Negro da Força.



Roqueiros/Góticos/Emos : 


Eu juro. A vibe vai passar e vocês vão lamentar (ora os emos sabem fazer isso muito bem!) 

Vergonha Alheia. Só digo isso.

Basicamente são aqueles ligados em algum tipo de música da moda que procure mostrar revolta, depressão, desesperança e morbidez. Aquelas pessoas esquisitas, com acessórios estranhos, roupas depressivas podendo ou não ser monocromáticas.



CDFs : 

Desespero MODE ON

Será que eles serão os futuros workaholics ?!

A sigla dispensa apresentações. São aquelas pessoas perfeccionistas, estudiosas e potencialmente neuróticas. Eles se matam de estudar e praticamente comentem suicídio se tirarem alguma nota abaixo de 10. Não ... não adianta pedir cola para eles e nem pedir que eles façam o seu trabalho. Eles acima de tudo são orgulhosos e metidos à besta.



Nerds : 

TARAM!

Preparem-se: Nós vamos dominar o mundo ^^ 


São aqueles taxados de esquisitos, deslocados e a margem da sociedade. Um mito muito comum. Ele só são pessoas extremamente curiosas e que apostam suas energias vitais em assuntos de seu interesse (que podem incluir alienígenas, filmes, desenhos, história, tecnologia etc ). Nerds têm seus próprios meios de interação social muito embora seja um clichê muito comum achar que eles são gente “socialmente inapta”. É simples : Nerds  se relacionam com outros nerds da mesma espécie.



Mas isso são ideias totalmente distorcidas. Quem foi que disse que os nerds não podem ser “nice guys” ou que patricinhas não podem ser cdfs? Ou até mesmo que mocinhos não podem ser vagabundos ou que vilões não podem ser patricinhas?! Dá para fazer uma combinação mental de todas as possiblidades possíveis.

Tudo junto e misturado!


Pois é ... e tudo gira em torno de valores perturbadores não é mesmo?! Provavelmente esses grupinhos não tem características tão taxativas. As pessoas usam esses estereótipos para julgar as outras e serem más de forma gratuita. Só porque se é diferente. E  se você não se enquadrar em grupinho nenhum?! Então pode dizer adeus a qualquer indício de vida social dentro de um colégio. Lá não há lugar para invisíveis.

Tipo Terra de Malboro, saca?! Ou você é o zoador, ou você é o zuado!




A despeito de tudo ainda temos os Valentões que são mais antigos do que a própria Escola. Eles são aqueles caras que batem nos mais fracos, intimidam, xingam, gritam e roubam. São aquelas garotas que espalham comentários, excluem socialmente a vítima da turma, ridicularizam o modo de vestir, falar ... São aqueles que desprezam os outros por causa de uma etnia, religião ou incapacidade...  

Lembra disso?

Exclusão Social

Violência Gratuita





Fora os momentos de desespero (vésperas de provas, entregas de trabalhos e informações privilegiadas das fofocas cotidianas) e de violência gratuita, os grupos de uma escola não interagem entre si. 

É importante ressaltar que a Violência gratuita sempre existiu mas só recentemente que as situações em que ela se configuram foram devidamente catalogadas e taxadas do mais recente estrangeirismo pedagógico “bullying”. Que atire a primeira pedra a única pessoa que não sofreu implicâncias ou mesmo as praticou na Escola!


Bullying. Sim. Você já viu isso em algum lugar.




Bullying além de ser uma palavra difícil de se acertar a grafia de primeira, é uma moda. Incrível perceber que as pessoas realmente faziam vistas grossas para o que acontecia dentro das escolas do mundo. A questão da Violência entre estudantes (e até mesmo de professores para com estudantes) é um fenômeno mundial e histórico. 


Todo mundo sabe ... 

Todo mundo vê ... 

E basicamente ninguém se importa ...
Mas parece que o mundo começou a encarar os fatos com maior seriedade quando as vítimas dessas práticas de humilhação, intimidação e maldade resolveram retaliar os seus agressores e das pessoas indiferentes e omissas que viam seus sofrimentos.

Violência Verbal/ Moral 

Violência Física

Cena clássica do dia a dia dos infantes



Casos bárbaros de Bullying que resultaram em vingança já tinham sido noticiados desde o início da década de 90 do século passado. Um caso famoso inspirou uma balada “Jeremy” (Pearl Jam) para homenagear Jeremy Wade Delle que se matou em 1991 quando tinha 15 anos no Texas dentro da sala de aula na frente de 30 colegas e da professora como forma de protesto pela perseguição que sofria todos os dias pelos seus colegas. A música também foi feita em homenagem a Brian que saiu atirando dentro da sala de aula da universidade onde um dos compositores da música estudava.

Jeremy
Vídeo da Música ( Legendado) : 







Outros casos importantes ocorreram em 1998 quando em Springfield quando um estudante de quinze anos matou os pais e entrou na sua escola matando dois alunos e ferindo 22.  Nesse mesmo ano no Arkansas dois meninos de 11 e 13 anos entraram na escola disparando o alarme de incêndio para matar quatro alunos e uma professora que deixavam o local.



Até esse momento esses fatos assustadores eram considerados casos isolados e cheios de “condições”, “especificações”. Bullying começou mesmo a chamar a atenção em 20 de abril de 1999 no famoso “Massacre em Columbine” onde dois adolescentes promissores e de boa família mataram 13 pessoas, feriram 21 e depois se suicidaram motivados por vingança contra as pessoas que os intimidavam e ridicularizavam. Houve uma grande repercussão na época e um documentário de grande amplitude foi feito o que acabou chocando o mundo e fez muita gente coçar os cérebros e ver até que ponto uma simples provocação “inofensiva”pode desestabilizar emocionalmente um jovem ao ponto de gerar um extravasamento violento e impactante.

Columbine =/


Depois disso virou moda as vítimas de Bullying fazerem demonstrações pública de raiva contida. A primeira década do novo século estava repleta de episódios de atiradores em escolas no mundo Inteiro.



Ser malvado só por diversão 

Maldade à flor da pele



Em 2007 Seung-Hui Cho matou 32 pessoas da comunidade universitária onde fazia parte na Universidade Virgínia Tech. No mesmo ano na Finlândia um adolescente de 18 anos, Pekka-Eric Auvinen, simplesmente atirou em 8 pessoas e depois se matou. Ele havia anunciado seus planos anteriormente no YouTube. Em 2009 Tim Kretschmer de 17 anos na Alemanha matou quinze pessoas do seu colégio e depois também se matou. A moda pegou até as nossas terras tupiniquins no início de uma nova década no Rio de Janeiro quando um ex-aluno começou um tiroteio numa escola pública em Realengo matando várias crianças.

Está aí para todo mundo ver



Tudo bem ... são casos extremos mas dá para ter um vislumbre sobre o que abusos verbais e psicológicos podem causar numa mente que está em formação. 




E agora ainda existe uma “upgrade” nessas práticas o chamado CyberBullying onde se usa a WEB para criar perfis “fakes”  em redes sociais ou sites de compartilhamento de vídeos e fotos a fim de ridicularizar as vítimas em escala viral. Normalmente essa prática é tão impactante que as vítimas acabam cometendo suicídio.

Agora ...  É Bullying para o mundo inteiro ver.

E hoje é tudo conectado ... 

A pressão pode ser insuportável... 

É em todo lugar ... 




Diante de tudo, repito a pergunta: 

Você lembra do seu tempo de escola? 

Lembra de ter zuado ou excluído alguém  por não fazer parte da sua panelinha?! 

E a pessoa se sentia rejeitada por todos ... 


Lembra de ter visto alguém sendo vítima de algum tipo de violência ou provocação e não ter feito nada ?!

E muitas vezes a crueldade não vencia a sua omissão ...

E a vida da pessoa se tornava um inferno ... 




Realmente é possível pensar quais são os limites da escola. Eles são exatamente aqueles que a nossa maldade permite.





Thaís Parméra - GlassBallerina




2 comentários:

=D eu sempre tive vontade de entrar na escola com uma bazooka e tocar o terror ^____^ na minha época nerd/cdf eram a mesma coisa, não era cool, não estava na moda e não te fazia uma pessoa popular ou descolada.

Realmente é engraçado como hoje em dia tudo que existia no que tange à exclusão e violência verbal virou "bullying". As pessoas simplesmente ignoram que essas agressões existem desde sempre. Agora querem dar uma nova roupagem para tal.
Hipocrisia, isso sim. Como eu, diversas pessoas na minha faixa etária também sofreram discriminação quando crianças (tenho 22 anos). Infelizmente, não podemos mudar a cabeça e consequentemente a educação de cada indivíduo. Podemos sim rezar para que essas gerações futuras sejam mais conscientes e evitar a injustiça quando pudermos, sempre claro através do exemplo. Como dizia o poeta: "da casa à praça".

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